DIA DO FILME DA QUEBRADA
O evento de exibição de curtas de quebrada começa muito antes do primeiro filme. Ele nasce na montagem do espaço, no corre coletivo, nos cabos estendidos, no som testado, no telão improvisado que já anuncia que algo especial vai acontecer ali. A rua, a praça ou o pátio da comunidade se transforma em ponto de encontro. Quando as pessoas chegam, o clima é de reconhecimento e pertencimento. Tem conversa, risada, troca de ideia, gente se cumprimentando pelo nome. Os curtas apresentados carregam histórias do cotidiano, olhares de dentro, narrativas que falam de luta, afeto, sobrevivência, sonho e identidade. São filmes feitos com urgência, criatividade e verdade. Durante as exibições, o silêncio vem carregado de atenção. Cada cena provoca reações imediatas: risos, comentários, suspiros, aplausos espontâneos. O público se vê na tela, se reconhece nas paisagens, nos corpos, nas vozes. Após os filmes, o debate acontece de forma aberta e horizontal — realizadores e público se misturam, trocando experiências, críticas e fortalezas. Mais do que um evento cultural, a exibição de curtas de quebrada é um ato de ocupação e afirmação. É o audiovisual como ferramenta de expressão, memória e futuro, mostrando que a quebrada produz cinema, pensamento e arte com potência própria.